Mais que celebrar a oportunidade de um novo emprego, a alternativa de
trabalho que surge, é saber que estamos sendo úteis para o mundo e,
principalmente, para nós mesmos.
Se olharmos à nossa volta podemos ver as tantas formas de trabalho
que são colocadas para nós. Há o trabalho assalariado, o trabalho
autônomo, o trabalho em redes, o trabalho cooperado... Enfim, são
muitas as opções que dependem de condições físicas, intelectuais
e econômicas de cada um, para sermos inseridos.
Queremos chamar a atenção nessa matéria para a coragem de tantas
pessoas que escolhem não se submeter as armadilhas do poder
econômico, que insiste em concentrar renda nas mãos de poucos que
exploram o(a) trabalhador(a).
O Papa João Paulo II já chamou a atenção para esse aspecto quando
proclamou ao mundo: - “Os ricos são cada vez mais ricos e os
pobres são cada vez mais pobres”.
Mas, uma outra economia é possível, uma economia vivenciada de
forma solidária, cooperativa e partilhada nas relações de
trabalho. Sim, é possível e é realidade nas vidas de mais de um
milhão e setecentos mil trabalhadores e trabalhadoras no Brasil, dos
mais diversos setores econômicos. A esse conjunto de
trabalhadores(as), estão agregados em torno de vinte e cinco a
trinta mil pessoas que possuem algum vínculo.
Essa forma de viver as relações de trabalho é chamada de Economia
Solidária, assim como na experiência das primeiras comunidades
cristãs, não há explorados(as) e exploradores(as).
A Economia Solidária se pauta na justa distribuição dos resultados
alcançados, nas oportunidades que levam ao desenvolvimento de
capacidades e da melhoria das condições de vida dos participantes,
nas relações que se estabelecem com a comunidade local, nas
relações com os movimentos sociais e populares de caráter
emancipatório.
Em nossa paróquia há muitos focos de resistência e de persistência
em vivenciar essa relação, como o grupo que há mais de vinte anos
faz pão na Capela Nossa Senhora da Caridade, o grupo do Coador na
Capela Nossa Senhora Aparecida e também as partilhas que são
realizadas nas missas, em todas as comunidades.
Viva o trabalho coletivo!
Leonardo J. D. Campos
Texto publicado no “Informativo da Paróquia São Geraldo Magella e Comunidades - Santo André - SP - maio de 2013 - Ano XIV - Edição 157 – página 2”