terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Tempo de escolha

Este ano de 2026 se impõe a nós como um tempo de disputa: disputa de sentidos, de projetos, de valores. Nada está dado. O país que habitamos segue sendo um campo de batalha entre a vida que insiste em florescer e forças que apostam no lucro, no privilégio e na exclusão. Este ano não pede neutralidade; exige posicionamento claro, em alto e bom som.

Não haverá como escapar das lutas que nos atravessam. E elas não serão apenas individuais. Serão, sobretudo, lutas coletivas, travadas no cotidiano das periferias, nos locais de trabalho, nas escolas, nas igrejas, nas ruas e, de modo decisivo, nas urnas. A fé cristã, quando fiel ao Evangelho, não se acomoda diante da injustiça. Jesus não foi neutro diante da fome, da opressão e da hipocrisia do poder. Ele tomou partido da vida.

Este ano nos desafia a fazer diferente também na política. A romper com a indiferença travestida de prudência, com o discurso que iguala opressores e oprimidos, com a ideia de que “tanto faz”. Não faz. As escolhas importam. Importam quem governa, para quem governa e a serviço de quais interesses.

Coragem será necessária para defender o que é público, para afirmar que direitos não são favores, para sustentar que ninguém é descartável. Coragem para dizer que democracia se constrói com participação, não com ódio; com diálogo, não com armas; com políticas que cuidam, não com discursos que ferem.

As eleições não se definem por si só. Não se tratam apenas de um rito formal, mas de um chamado à responsabilidade histórica. Votar é um gesto político, mas também ético. É decidir de que lado da história queremos estar: se ao lado da vida concreta do povo ou dos privilégios de poucos; se ao lado da esperança organizada ou do medo manipulado.

Sonhar com um Brasil mais justo, solidário e fraterno não é utopia vazia. É herança de lutas, de sangue, de suor e de fé. É afirmar que o pão deve ser repartido, que a terra deve cumprir sua função social, que a economia deve servir à vida e que o Estado não pode abandonar os mais pobres. “Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mateus 25,40).

Que possamos estar atentos, críticos e comprometidos. Que nossa fé não se feche nos templos, mas caminhe pelas ruas. Que nossa esperança não seja ingênua, mas organizada. E que nossa ação política seja expressão do amor que o Evangelho exige: um amor que incomoda, que confronta e que transforma.

Porque este ano será decisivo. E a história — como sempre — será escrita pelas escolhas que fizermos, individualmente e como povo. Que saibamos escolher a vida, a justiça e o futuro.

Leonardo J. D. Campos

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O chão da cultura no Grande ABC

Quero retomar o importante dia onze de janeiro de 2026, quando, como tantos brasileiros, acompanhei a notícia de que o filme O Agente Secreto, um longa-metragem nacional, havia sido premiado no Globo de Ouro como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, além do reconhecimento de Wagner Moura como Melhor Ator em Filme de Drama. Trata-se de um fato que deve ser celebrado não apenas como prestígio internacional, mas como afirmação de valores e de um projeto de país, uma conquista que dialoga diretamente com quem faz cultura todos os dias, longe dos holofotes — é justamente daí que nascem as grandes obras que o mundo passa a enxergar.

Partindo desta ótica, me volto ao ABC paulista, um território onde a cultura nunca foi luxo. Aqui, a arte sempre esteve ligada à sobrevivência. Conheço músicos que atravessam a cidade após um dia inteiro de trabalho; escritores que escrevem de madrugada; poetas que bancam a própria publicação; artistas que improvisam ateliês em casa; atores que ensaiam sem saber se haverá público ou cachê. É nesse cotidiano silencioso que a cultura resiste e se reinventa.

Quando um filme brasileiro ganha o mundo, ele não nasce do nada, mas do esforço, da precariedade e da persistência que começam nos bairros, nas periferias, nos coletivos culturais, nos espaços comunitários e nos editais disputados com enorme dificuldade.

Vale lembrar que o Brasil viveu, não há muito tempo, um período marcado por ataques deliberados à cultura. A arte foi tratada como inimiga, o artista como suspeito e o investimento cultural como desperdício. Esse discurso desceu para as cidades, atingiu o ABC, fechou espaços, interrompeu projetos e empurrou muitos profissionais para a informalidade. O empobrecimento gerado ali foi também simbólico e coletivo, e seus efeitos ainda são sentidos.

Por isso, é fundamental reafirmar: cultura é trabalho, é direito e é política pública. Não existe cinema premiado sem Estado presente, assim como não existe cultura viva sem territórios fortalecidos. O ABC tem talentos suficientes para ocupar palcos, telas e feiras em qualquer lugar do mundo. O que falta não é criatividade, é prioridade política.

Celebrar um prêmio internacional só faz sentido quando ele se transforma em acesso, orçamento, continuidade e dignidade para quem faz arte no cotidiano. É justo comemorar quando o mundo aplaude o cinema brasileiro, mas a vitória só se completa quando esse reconhecimento chega aqui dentro como política pública. Sem isso, o aplauso é distante; com isso, vira sustento, pertencimento e futuro.

Leonardo J. D. Campos

Artigo publicado no Diário do Grande ABC, em 22 de janeiro de 2026, no caderno Opinião, página 2.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Dia do Mártir São Sebastião

O dia de São Sebastião, celebrado em 20 de janeiro, não é apenas uma data do calendário religioso. Para muitas comunidades, especialmente na Zona da Mata Mineira onde a devoção ao santo se enraíza e se expressa de forma intensa por meio da Folia de São Sebastião, assim como em lugares como Rio Grande da Serra, onde a devoção se materializa na própria vida paroquial dedicada ao santo, trata-se de um tempo próprio, carregado de memória, organização coletiva e sentido comunitário. É o dia em que a fé sai de casa, ganha estrada e se transforma em encontro — um movimento que se repete em tantas outras comunidades espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, onde São Sebastião segue sendo referência de proteção, resistência e cuidado com a vida.

Em Minas Gerais, a Folia de São Sebastião é uma tradição viva, reconhecida e profundamente familiar. Não nasce de eventos oficiais nem de agendas institucionais, mas do compromisso assumido entre gerações. Mestres de folia, guardiões das bandeiras, violeiros, cantadores, bandeireiros e cozinheiras formam uma rede que se organiza, não por obrigação, mas por pertencimento. Cada um sabe seu lugar, sua função e sua responsabilidade. Nada é improvisado, porque tudo é partilhado.

A bandeira de São Sebastião é o centro desse movimento. Ela não é adorno nem símbolo distante: é presença. Ao entrar nas casas, carrega pedido, agradecimento, promessa e proteção. Quem recebe a folia não é espectador, é parte do rito. Abre a porta, oferece café, comida, pouso, escuta os cantos, reza junto. A fé acontece ali, no cotidiano, sem separação entre o sagrado e a vida concreta.

Os cantos da folia não falam de um santo distante ou idealizado. Falam de cuidado, de trabalho, de saúde, de proteção contra a fome, a peste, a doença e a violência. Falam da terra, da família e do esforço diário. É uma espiritualidade que reconhece a dureza da vida, mas insiste na dignidade. Não promete fuga do mundo, mas força para permanecer nele.

Essa devoção não se sustenta no abstrato. Ela se mantém porque foi cuidada por pessoas concretas, muitas delas já falecidas, que assumiram, em seu tempo, a responsabilidade de preservar a folia e transmiti-la como herança viva. Cada geração recebeu essa tradição, cuidou dela à sua maneira, a entregou à seguinte e, por conta disso, permanece. 

Registro aqui alguns nomes que marcaram essa caminhada e contribuíram diretamente para a continuidade dessa expressão de fé: minha avó Elvira Dutra Medina; meu pai, Pedro; minha mãe, Maria; meus tios paternos Minerval, Adolfo e José; meus tios maternos João, Astolfo, Maurício e Sebastião; meus irmãos Vicente e Camilo; meus primos (tantos que nem consigo enumerar), além de muitos amigos e amigas que, ao longo dos anos, mantiveram e mantêm viva essa prática, garantindo que ela continue caminhando no tempo.

Há, nessa tradição, uma pedagogia silenciosa. A folia ensina que a fé se constrói em comunidade, que ninguém caminha sozinho e que a memória precisa ser cuidada para não se perder. Ensina também que organização não é privilégio do Estado ou das instituições formais. O povo sabe se organizar, distribuir tarefas, resolver conflitos e sustentar o que considera essencial.

São Sebastião, nesse contexto, não aparece apenas como mártir de um passado distante, mas como referência de resistência. Não pela dor, mas pela firmeza. A devoção não exalta o sofrimento, mas a fidelidade à vida, mesmo quando ela é atravessada por injustiças e dificuldades. O santo permanece popular porque sua história dialoga com a experiência de quem precisa resistir todos os dias.

Celebrar São Sebastião, assim, é mais do que cumprir um rito religioso. É reafirmar valores: partilha, cuidado, compromisso coletivo, memória viva. É reconhecer que a fé, quando enraizada no chão do povo, produz laços, organiza comunidades e sustenta esperanças concretas.

Num tempo em que a religião muitas vezes é usada para dividir, excluir ou explorar, a Folia de São Sebastião aponta outro caminho. Um caminho antigo, simples e profundamente atual: aquele em que a fé não se impõe, mas visita; não domina, mas serve; não promete privilégios, mas constrói comunhão.

O dia 20 de janeiro, na Zona da Mata Mineira e em tantos outros lugares, não termina quando a folia se despede. Ele permanece nos vínculos que se reforçam, nas histórias que continuam sendo contadas e na certeza silenciosa de que, enquanto houver gente disposta a caminhar junto, a fé seguirá tendo rosto, voz e endereço.

Leonardo J. D. Campos

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Quando a fé se torna ação prática



A morte de um padre de 103 anos, ocorrida na última sexta-feira (09/01/2026), no Rio de Janeiro, durante a oração da Ave-Maria, dentro da igreja e no coração da comunidade, é um acontecimento que permite uma leitura que vai além do aspecto religioso ou da cena comovente que, de fato, é. Trata-se também de um acontecimento político no sentido mais profundo da palavra: aquele que diz respeito à forma como escolhemos viver, cuidar uns dos outros e dar sentido à vida pública.

Não é irrelevante que seu último gesto tenha sido uma Ave-Maria. Maria, no Evangelho, é aquela que diz “façam o que Ele disser”, que guarda tudo no coração, que aceita o chamado dizendo “faça-se em mim segundo a tua palavra”. Rezar a Ave-Maria, nesse contexto, não é fuga do mundo — é reafirmação de uma fé que escuta, acolhe e se traduz em obediência concreta à vida.

É a partir dessa imagem — uma vida que começa e termina dizendo “sim” — que a pergunta se impõe com ainda mais força: a quem serve a nossa fé hoje? Ao mercado e à vaidade? À legitimação do autoritarismo? Ou à dignidade humana, sobretudo quando ela se apresenta frágil, pobre e invisibilizada?

A trajetória desse padre — marcada pela permanência, pela simplicidade e pelo compromisso com a memória, com os pobres e com a comunidade — revela algo essencial: fé que não se traduz em compromisso social é fé esvaziada. E compromisso social, gostemos ou não, é sempre político. É escolher estar ao lado da vida e não da exclusão. É optar pela justiça em vez da indiferença. É defender a memória histórica quando tantos preferem o esquecimento conveniente.

Há uma força simbólica enorme em alguém que atravessa mais de um século sem abandonar sua missão. Em um mundo onde tudo se tornou descartável — pessoas, direitos, histórias — essa fidelidade é um gesto de resistência. Resistência à lógica do lucro acima da vida. À banalização da morte. À transformação da fé em espetáculo ou arma ideológica.

Talvez por isso essa morte tenha atravessado fronteiras e ganhado manchetes internacionais. Não foi apenas o fato em si, mas o testemunho. Um testemunho que grita, mesmo em silêncio: outra forma de viver é possível. E, por consequência, outra política é necessária — uma política que tenha alma, ética e compromisso com o bem comum.

No fim, a morte desse padre não encerra uma história — ela me interpela. Ela me obriga a perguntar que tipo de fé eu estou vivendo, que tipo de compromisso estou sustentando e a quem minhas escolhas servem todos os dias. Diante de uma vida que começa e termina em oração — na oração daquela que ensinou a fé a virar gesto — não cabe neutralidade. Ou a fé se transforma em cuidado concreto, justiça e defesa da vida, ou ela se torna ruído vazio. Eu sigo acreditando que fé, quando é verdadeira, não foge do mundo: ela se compromete com ele — e, por isso mesmo, segue sendo um ato profundamente político.

Padre José Luciano Jacques Penido, presente!

Leonardo J. D. Campos

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Quando a fé vira alvo

Os dados divulgados pelo Painel do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, e repercutidos pelo Diário do Grande ABC (DGABC, quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, caderno Setecidades, p. 3), informam que a região registrou um aumento de 6% nas denúncias de intolerância religiosa em 2025. Foram 35 ocorrências até 25 de dezembro, contra 33 no mesmo período do ano anterior. À primeira vista, alguém pode tratar isso como uma oscilação estatística. Eu não consigo.

Não consigo porque, por trás de cada número, existe uma pessoa constrangida. Um corpo violentado simbolicamente. Uma fé interrompida no meio do canto, do toque do atabaque, da oração ou até do silêncio sagrado. Intolerância religiosa não é abstração acadêmica: é medo concreto. É gente que passa a medir o volume da própria crença para não incomodar quem nunca se incomodou em respeitar.

A matéria publicada pelo DGABC lembra que o Dia Nacional da Liberdade de Cultos, celebrado em 7 de janeiro, nasce de um decreto de 1890 que prometia garantir direitos a todas as religiões. Esse princípio foi reafirmado pela Constituição Federal de 1988, que assegura a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença e a proteção aos locais de culto e às suas liturgias. No papel, o direito existe. Na vida real, ele segue sendo violado — todos os dias.

No plano local, Santo André avançou ao instituir a Lei Ordinária nº 10.348, de 19 de novembro de 2020, de autoria do então vereador Alemão Duarte, que criou o Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 20 de agosto. Não se trata apenas de um marco simbólico. A lei afirma objetivos claros: fortalecer a democracia, respeitar a diversidade religiosa, incentivar o diálogo entre diferentes crenças e construir uma cultura de paz fundada na justiça social e na defesa da vida. A escolha da data homenageia Quitéria Vieira, referência da Umbanda, falecida em 20 de agosto de 1989 — um gesto que reconhece, ainda que tardiamente, a dor histórica imposta às religiões de matrizes africanas.

Ainda assim, os dados mostram que seguimos falhando. O pesquisador Marco Brito, doutor em Ciências da Religião, aponta que parte do aumento das denúncias decorre do maior acesso aos canais de registro e do reconhecimento de direitos. É verdade. Mas isso não consola. Pelo contrário: escancara o quanto essas violências sempre existiram e foram naturalizadas, silenciadas, empurradas para fora do debate público.

As religiões de matrizes africanas continuam sendo as principais vítimas. A fala de Mãe Fran, liderança do candomblé em São Bernardo, é um retrato duro dessa realidade: denúncias recorrentes, ameaças, episódios de truculência policial e a recusa em reconhecer o caráter religioso de suas celebrações. Não é perturbação do sossego. É racismo religioso — herança direta de um país que demonizou a fé negra para justificar a escravidão e nunca encarou esse passado com a seriedade necessária.

Quando até uma pessoa católica aparece entre as vítimas, o dado não relativiza o problema. Ele amplia o alerta. Mostra que a intolerância cresce em ambientes de polarização, ódio ao diferente e empobrecimento do diálogo público. Hoje é contra o terreiro. Amanhã será contra qualquer expressão de fé que não se curve ao padrão dominante.

Liberdade religiosa não é favor, nem concessão. É direito humano fundamental. Mas direito só se sustenta quando vira prática social, política pública e postura cotidiana. Enquanto alguém precisar negociar sua fé com o vizinho, com o Estado ou com a polícia, essa liberdade seguirá incompleta.

Escrevo a partir de um lugar claro — humano e político. Minha indignação não é neutra, nem acadêmica. Ela nasce da vivência comunitária, do diálogo inter-religioso e da convicção de que a fé, qualquer fé, só faz sentido quando promove vida, dignidade e encontro. Defender a liberdade de cultos não é defender uma religião específica. É defender o direito de existir sem medo.

Que os dados não sirvam de anestesia. Que leis como a de Santo André não fiquem restritas ao calendário oficial. E que o combate à intolerância religiosa deixe de ser discurso para se tornar compromisso real. Porque intolerância não é estatística. É ferida. E ferida aberta exige cuidado, coragem e ação.

Leonardo J. D. Campos

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O pão que o capitalismo não explica

Voltei para casa com o corpo cansado e o pensamento desperto. Eu e meu irmão passamos o dia inteiro levantando um muro de blocos tipo baiano que havia desabado depois dos ventos fortes que castigaram Santo André. Na periferia, quando algo cai, não se espera. A resposta vem do braço estendido, do mutirão improvisado, da solidariedade que antecede qualquer política pública.

No caminho de volta, minha filha mais nova vinha comigo. Já perto de casa, ao passar em frente à padaria do bairro, pedi que ela entrasse e comprasse dez pães. Em casa, algumas amigas da família se reuniam. Nada sofisticado: pão, vinho, conversa e presença. O essencial que sustenta a vida quando quase tudo falta.

Minha filha fez o pedido e ouviu do dono da padaria, com a naturalidade de quem conhece a rua: — Sua irmã mais velha já passou aqui agora há pouco e levou pão.

Essa frase simples carrega uma escolha. Ali, o centro não era a venda. O lucro não comandava o gesto. O que estava em jogo era a relação. Ele sabia quem éramos. Sabia quem eram nossas filhas. Sabia de nossos passos. Não havia ali a frieza do caixa, mas a memória do convívio.

Na lógica dominante, seria diferente. Sem relação, o importante é vender. Pouco importa se alguém da mesma casa já comprou, pouco importa se o pão vai sobrar ou faltar. Pessoas viram clientes, encontros viram transações e o pão vira apenas mercadoria. Quando tudo vira mercadoria, a vida perde densidade, o rosto perde nome e a cidade perde alma.

Na comunidade, o pão ainda guarda outro sentido. Ele não é só produto — é partilha. Não é só consumo — é cuidado. O balcão não separa; aproxima. A padaria vira extensão da casa, e a rua, espaço de pertencimento. Ali, repartir vale mais que acumular, e conhecer vale mais que lucrar.

Este fato me fez lembrar de Jesus que sempre caminhou por lugares assim. Sentou-se à mesa com gente comum, repartiu o pão e o vinho, reconheceu rostos antes de contar moedas. Nunca perguntou quem podia pagar, mas quem tinha fome. Nunca fez da fé um negócio, nem da vida uma mercadoria. Seu gesto era simples e, por isso mesmo, profundamente subversivo.

Talvez o padeiro nem tenha se dado conta, mas naquele instante ele repetiu esse gesto. Ao não vender mais dez pães, afirmou — sem discurso — que a vida vale mais que o lucro, que a relação vale mais que a transação, que o cuidado vale mais que o acúmulo. Isso é política em estado puro, feita sem palanque e sem microfone.

Nos grandes centros, uma cena assim soa improvável. A cidade moldada pelo capital precisa do anonimato, da pressa e da indiferença. Transforma ruas em corredores, pessoas em números e vínculos em obstáculos. Comunidade atrapalha. Relação incomoda. Humanidade dá prejuízo.

Naquele dia, não deixamos de comprar pão. Ganhamos consciência. Entendemos que a salvação não mora fora da vida, nem depois dela. Ela se constrói quando o pão e o vinho deixam de ser mercadoria e voltam a ser sinal. Quando a cidade recusa ser apenas mercado e reaprende a ser casa.

E enquanto ainda existirem lugares onde o padeiro conhece nossas filhas pelo nome, o projeto da indiferença não se completa. Porque vínculo não é atraso — é enfrentamento.

Leonardo J. D. Campos

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Leonardo lança mais um livro

Noite inesquecível em Santo André marca aniversário e lançamento de novo livro


A noite de 24 de novembro de 2025 ficará registrada como um capítulo especial na trajetória do escritor e gestor público Leonardo Campos. Em plena segunda-feira, no aconchegante Restaurante Caboclo Bão, no Centro de Santo André, Leonardo celebrou seus 54 anos de vida e lançou oficialmente seu mais novo livro: “Proseando pelo tempo: entre passos, preces e lembranças”.

O encontro reuniu familiares, parentes, afilhadas, colegas de trabalho, amigos de fé, companheiros de caminhada política e pessoas que, de diferentes formas, fazem parte da história do autor. O ambiente acolhedor, marcado por abraços, conversas e reencontros, reforçou o clima de gratidão que atravessou toda a celebração.

“Foi uma noite muito especial. Agradeço de coração por cada gesto de carinho, cada mensagem enviada e cada abraço afetuoso. Poder celebrar a vida e, ao mesmo tempo, compartilhar o nascimento de mais um livro é um privilégio que guardo com muito carinho”, afirmou Leonardo.

Confira, em vídeo, um resumo do que foi este momento tão especial: Clique AQUI e assista.

Um livro que proseia com a vida

A nova obra reúne memórias, reflexões, preces e lembranças que atravessam a experiência humana — da infância à maturidade — sempre com a delicadeza e a sensibilidade características do autor. O livro chega como mais um passo no caminho literário de Leonardo, que tem dedicado sua escrita a transformar vivências em poesia, afeto e diálogo com o leitor.

Celebração, afeto e caminhada

Entre brindes, histórias compartilhadas e sorrisos largos, a noite reforçou laços e renovou esperanças. Para Leonardo, o momento simboliza não apenas mais um aniversário, mas a continuidade de um ciclo vivido com propósito, fé e compromisso com as pessoas que o acompanham.

“Seguimos juntos, proseando pela vida”, concluiu o autor, emocionado.