Este ano de 2026 se impõe a nós como um tempo de disputa: disputa de sentidos, de projetos, de valores. Nada está dado. O país que habitamos segue sendo um campo de batalha entre a vida que insiste em florescer e forças que apostam no lucro, no privilégio e na exclusão. Este ano não pede neutralidade; exige posicionamento claro, em alto e bom som.
Não haverá como escapar das lutas que nos atravessam. E elas não serão apenas individuais. Serão, sobretudo, lutas coletivas, travadas no cotidiano das periferias, nos locais de trabalho, nas escolas, nas igrejas, nas ruas e, de modo decisivo, nas urnas. A fé cristã, quando fiel ao Evangelho, não se acomoda diante da injustiça. Jesus não foi neutro diante da fome, da opressão e da hipocrisia do poder. Ele tomou partido da vida.
Este ano nos desafia a fazer diferente também na política. A romper com a indiferença travestida de prudência, com o discurso que iguala opressores e oprimidos, com a ideia de que “tanto faz”. Não faz. As escolhas importam. Importam quem governa, para quem governa e a serviço de quais interesses.
Coragem será necessária para defender o que é público, para afirmar que direitos não são favores, para sustentar que ninguém é descartável. Coragem para dizer que democracia se constrói com participação, não com ódio; com diálogo, não com armas; com políticas que cuidam, não com discursos que ferem.
As eleições não se definem por si só. Não se tratam apenas de um rito formal, mas de um chamado à responsabilidade histórica. Votar é um gesto político, mas também ético. É decidir de que lado da história queremos estar: se ao lado da vida concreta do povo ou dos privilégios de poucos; se ao lado da esperança organizada ou do medo manipulado.
Sonhar com um Brasil mais justo, solidário e fraterno não é utopia vazia. É herança de lutas, de sangue, de suor e de fé. É afirmar que o pão deve ser repartido, que a terra deve cumprir sua função social, que a economia deve servir à vida e que o Estado não pode abandonar os mais pobres. “Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mateus 25,40).
Que possamos estar atentos, críticos e comprometidos. Que nossa fé não se feche nos templos, mas caminhe pelas ruas. Que nossa esperança não seja ingênua, mas organizada. E que nossa ação política seja expressão do amor que o Evangelho exige: um amor que incomoda, que confronta e que transforma.
Porque este ano será decisivo. E a história — como sempre — será escrita pelas escolhas que fizermos, individualmente e como povo. Que saibamos escolher a vida, a justiça e o futuro.



