domingo, 22 de setembro de 2013

Sonhos da Juventude

Juventude seu tempo é agora
Vamos juntos sem demora
O futuro já te pertence
É pela luta que se vence

Não é hora de chorar
Menos ainda de parar
A vida é um recomeço
A vitória é nosso preço

És a imagem verdadeira
De um Deus libertador
O fermento dessa massa
Fermentada com amor

Se a utopia de seus sonhos
For hoje razão para viver
Se unirmos nossas forças
Não será difícil vencer

Deus da eterna juventude
Mostre seus caminhos a trilhar
Não deixes que nada no mundo
As impeçam de vencer e brilhar

Leonardo J. D. Campos
Poema publicado no “Informativo da Paróquia São Geraldo Magella e Comunidades - Santo André - SP - setembro de 2013 - Ano XIV - Edição 161 – página 2”

domingo, 28 de julho de 2013

Hoje me pus a pensar

Hoje me pus a pensar...
Oh mar! - que profunda imensidão
Se compara a dimensão deste enlaço
Em cada compasso, passo, ensina...

Hoje me pus a pensar...
Não vou me furtar à emoção
Que agita o coração, teimoso
Sem ser iroso, fascina...

Hoje me pus a pensar...
Com é bom te encontrar, grande amigo
Contigo partilhar o mundo, o tempo
Quanto alento, doce sina...

Hoje me pus a pensar...
No aconchego de sua presença constante
Faz reviver e seguir sempre adiante
Por cada caminho, a luz que ilumina...


Leonardo J. D. Campos
Poema publicado no “Informativo da Paróquia São Geraldo Magella e Comunidades - Santo André - SP - julho de 2013 - Ano XIV - Edição 159 – página 2”

domingo, 26 de maio de 2013

Outro olhar para as relações de trabalho

Mais que celebrar a oportunidade de um novo emprego, a alternativa de trabalho que surge, é saber que estamos sendo úteis para o mundo e, principalmente, para nós mesmos.

Se olharmos à nossa volta podemos ver as tantas formas de trabalho que são colocadas para nós. Há o trabalho assalariado, o trabalho autônomo, o trabalho em redes, o trabalho cooperado... Enfim, são muitas as opções que dependem de condições físicas, intelectuais e econômicas de cada um, para sermos inseridos.

Queremos chamar a atenção nessa matéria para a coragem de tantas pessoas que escolhem não se submeter as armadilhas do poder econômico, que insiste em concentrar renda nas mãos de poucos que exploram o(a) trabalhador(a).

O Papa João Paulo II já chamou a atenção para esse aspecto quando proclamou ao mundo: - “Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres são cada vez mais pobres”.

Mas, uma outra economia é possível, uma economia vivenciada de forma solidária, cooperativa e partilhada nas relações de trabalho. Sim, é possível e é realidade nas vidas de mais de um milhão e setecentos mil trabalhadores e trabalhadoras no Brasil, dos mais diversos setores econômicos. A esse conjunto de trabalhadores(as), estão agregados em torno de vinte e cinco a trinta mil pessoas que possuem algum vínculo.

Essa forma de viver as relações de trabalho é chamada de Economia Solidária, assim como na experiência das primeiras comunidades cristãs, não há explorados(as) e exploradores(as).

A Economia Solidária se pauta na justa distribuição dos resultados alcançados, nas oportunidades que levam ao desenvolvimento de capacidades e da melhoria das condições de vida dos participantes, nas relações que se estabelecem com a comunidade local, nas relações com os movimentos sociais e populares de caráter emancipatório.

Em nossa paróquia há muitos focos de resistência e de persistência em vivenciar essa relação, como o grupo que há mais de vinte anos faz pão na Capela Nossa Senhora da Caridade, o grupo do Coador na Capela Nossa Senhora Aparecida e também as partilhas que são realizadas nas missas, em todas as comunidades.

Viva o trabalho coletivo!

Leonardo J. D. Campos
Texto publicado no “Informativo da Paróquia São Geraldo Magella e Comunidades - Santo André - SP - maio de 2013 - Ano XIV - Edição 157 – página 2”

terça-feira, 27 de março de 2012

 Por uma região cada vez melhor 

Em nossa região há uma enorme diversidade de povos e culturas que fazem dela um berço de lutas, de criações e de realizações. São pessoas que vão e que vem buscando “seu lugar ao sol”, mostrando sua arte; pessoas que trabalham escrevendo sua história, ajudando a construir este país. 

Não é possível falar do ABCDMRR, sem falar de seu papel de protagonista exercido no processo de lutas dos trabalhadores e trabalhadoras, debaixo de cassetetes e de repressão, pela transformação social e política do Brasil. 

Nossa Região é referência em diversas políticas públicas, em organização de importantes e diferentes formas de organização dos movimentos sociais, como conselhos, pastorais, movimentos etc. Quero aqui dar destaque para um importante mecanismo de organização do movimento social, criado em 2008, que é o Fórum social do ABCDMRR. 

Este Fórum nasce após a realização da primeira jornada cidadã de ações sociais, em São Bernardo do Campo (2007), durante os debates da segunda jornada em Santo André (2008). De lá até aqui o Fórum assumiu o papel de pautar importantes temas como o da saúde, culminando com o lançamento da cartilha da saúde, na terceira jornada em Mauá (2009); a questão racial como centro das ações da quarta jornada em Diadema (2010); a juventude como tema transversal e como foco das ações e debates realizados na quinta jornada em São Caetano do Sul (2011). 

Em 2012, ano eleitoral, não podemos nos furtar em debater propostas concretas para serem inseridas nas plataformas de nossos prefeituráveis. Neste sentido iremos organizar debates em todas as sete cidades de nossa região, com diversos temas: Meio ambiente e sustentabilidade em Rio Grande da Serra; Saúde em Ribeirão Pires; Direitos Humanos em Mauá; Movimento Sindical em Santo André; Diálogo Interreligioso em São Caetano do Sul; Cultura em São Bernardo do Campo; Economia Solidária em Diadema. 

Também em 2012 realizaremos a sexta jornada cidadã, obedecendo ao sistema de rodízio, em Rio Grande da Serra, no dia 10 de novembro, refletindo o tema “sustentabilidade sob o olhar dos movimentos sociais”. 

Nestes diferentes caminhos trilhados pelo fórum, muitos são os parceiros sociais e institucionais que se dispõem em nos ajudar. Neste sentido, é oportuno prestar aqui nossas homenagens a CNM (Confederação Nacional dos Metalúrgicos) da CUT, que neste dia 23 de março, completa 20 anos de lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o país e que sempre é um destes parceiros de primeira hora, presente em todas as nossas jornadas, apoiando nossas lutas e incentivando nossas conquistas. Parabéns! 

Assim, é possível perceber que há uma chama acesa que insiste refletir esperanças, continuam a mostrar caminhos e possibilidades que apontam novas conquistas, visando uma região cada vez melhor para se viver. 

Como diria o grande poeta português, Fernando Pessoa: “tudo vale à pena, se a alma não for pequena”. Que não sejam pequenas nossas esperanças, nossas conquistas, nossos sonhos; que seja grande nossa disposição de ver estes sonhos e esperanças, uma verdadeira realidade.

 

Leonardo J. D. Campos
Artigo publicado no Jornal ABCD Maior - 27 a 29 de marçao 2012 - Caderno Opinião - Pág. 2

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pela paz consentida

Tem uma frase muito conhecida, da letra da música “eu só peço a Deus”, composição de Leo Gieco e Raul Elwanger, interpretada por diversas vozes, que diz: “Eu só peço a Deus que a injustiça não me seja indiferente, pois não posso dar a outra face se já fui machucado brutalmente”. Esta pequena parte da linda composição me remete a refletir sobre tantas formas de injustiças em nossa sociedade que passam despercebidas, por razões diversas, como, indiferença, comodismo, senso comum etc.

Fazendo menção à frase acima, percebo as tantas marcas brutais da violência em nosso país, violência de toda ordem às quais não é possível ser indiferente, ser conivente.

A violência contra a mulher, por exemplo, atinge dados assustadores no Brasil, onde a cada quatro minutos uma mulher é agredida em seu próprio lar, por uma pessoa com quem mantém uma relação de afeto; vinte e três por cento das mulheres brasileiras estão sujeitas à violência doméstica, dados publicados pela Sociedade Mundial de Vitimologia (http://www.worldsocietyofvictimology.org/).

Infelizmente, este cenário é amplamente conhecido por nós, mas me parece que a informação de que tantas barbaridades cometidas contra a mulher de todas as idades, não chegou ao conhecimento do bispo da Arquidiocese de Guarulhos (SP) dom Luiz Gonzaga Bergonzini, ao declarar em entrevista, ao jornal Valor Econômico, à jornalista Cristiane Agostine: “Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada, que foi vítima… É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil”.

Senhor bispo, admita você, porque a única coisa que posso admitir ao ler esta afirmação é a minha indignação, a minha repulsa... Jesus Cristo, defensor da vida e da vida em abundância, talvez repetiria agora a sua célebre frase “Pai, perdoai-lhe”.

Justificar a violência como algo consentido é como dizer que eu gosto de ser violentado, que eu gosto de sofrer, que o sofrimento é algo aceitável. Convenhamos, ninguém, em sã consciência gosta de sofrer. Portanto, não há justificativa para a violência, ainda mais partindo do pressuposto acima.

Pela paz consentida, quero continuar acreditando na humanidade, nos direitos humanos, na vida como algo inviolável, nas relações humanas na sua essência, na justiça em todos os níveis; quero para minha filha, para todas as mulheres e homens a liberdade de viver esses valores; quero para todas as pessoas o direito e o dever de respeitar os caminhos dessa liberdade; quero que todas as feridas de qualquer ordem sejam estancadas sem cicatrizes, em favor da vida. 

Leonardo J. D. Campos


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

No trilhar de uma vida


"NO TRILHAR DE UMA VIDA" é um livro que aprofunda o caminhar poético do autor, Leonardo J. D. Campos, com poemas, ainda que variados do ponto de vista temático, mas que apresentam uma profundade de sentimentos considerável.

São poemas que falam do pai, mãe, tempo, mulher nordestina, chuva para novas plantas, roças, revolta contra a corrupção, amor, fome e os mistérios do amor, entre outros mais.

Hildebrando Pafundi, Escritor, jornalista, contista, cronista e prefaciador do livro, ressalta que "A inspiração do poeta Leonardo não tem limites e suas poesias vão preenchendo páginas com protestos, sentimentos, gratidão, homenagem ao prefeito Celso Daniel, motivações, memórias, infância, trevas, trilhas, fé, missão, esperança, amor, noite, amor, aurora, amor..."

Pode-se dizer que nesta obra onde é possível que o leitor mais atento perceba a proximidade do autor com as origens camponesas; o amor à família; o compromisso com a luta por melhores dias; a fé enraizada na doação e esperança; e muitas outras belas reflexões. Enfim, Leonardo retrata uma diversidade de pensamentos e faz uma bela "viagem" a diferentes formas de ver o mundo e o ser humano.

O lançamento do livro ocorreu na noite de 28 de novembro de 2011 e teve como motivação a celebração dos seu 40º aniversário (ver vídeo abaixo).





terça-feira, 8 de novembro de 2011

A marcha dos movimentos sociais 


O ano de 2011 poderá ser marcado para o Fórum Social do ABCDMRR como um ano da ousadia por ter assumido a temática juventude como um tema transversal nas ações, nos debates e na organização da 5ª Jornada Cidadã, em São Caetano do Sul. 

O centro e o resultado destes debates culminaram em um bonito e importante processo de planejamento, de aprendizado, focando a organização da nossa grande festa regional, intitulada como “5ª Jornada Cidadã – Ligada na Juventude” 

Tomando a liberdade de poetar e parafrasear o grande Geraldo Vandré, arrisco afirmar que, ficará para os anais da história de nossa Região e na memória daqueles e daquelas que ousaram fazer parte deste desafio, o registro ecoado em coro, nas rimas teimosas a cantar: “Valeu falar das flores”, dos encantos da juventude, de seus sonhos, de sua história e de sua liberdade. 

Vale ressaltar a importância da existência de um fórum como este, aberto, sem restrições para a enorme diversidade de movimentos sociais, culturais, religiosos etc, para que possam se manifestar sem as ameaças do poder, sem a coerção de qualquer ordem e sem as intempéries do sistema. 

Quero citar algumas de tantas outras entidades envolvidas neste processo em 2011, como a USCS, Universidade Metodista, Casa Mateus, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, CNM, Instituto Integrar, Unisol Brasil, Jornal ABCD Maior, CUT, Movimento de Mulheres, Movimento dos Ambientalistas, MST, Movimentos Culturais, Culturas Tradicionais, Pastoral da Juventude, religiões como a Umbanda, o Candomblé, Igrejas como a Luterana, a Católica, diversas Evangélicas, etc. 

Como já mencionado, é possível perceber a enorme diversidade com a sua dimensão social imensurável. Essa riqueza e essa qualidade é o que proporciona o sucesso desde a elaboração, a construção de todo processo de organização, até a realização da já consolidada Jornada Cidadã. 

Desde 2007, a Jornada vem fazendo parte da agenda do movimento social de nossa região, que nada mais é que uma grande festa, consciente e alegre, daqueles e daquelas que tem o compromisso com transformação da sociedade, a partir de nossa Região, através de diversas formas de manifestação cultural, artística, religiosa, política, social, além de ser um espaço de formulação de idéias, de conceitos, de políticas públicas e outros.                      

Penso que a Jornada pode ser entendida como uma grande marcha destes movimentos, destas entidades, destes homens e mulheres que se unem, vivem e acreditam que a vida das pessoas pode ser melhor e que é possível fazer valer, para cada indivíduo, o seu direito de cidadão. 

Peço licença para recorrer ao místico, a existência de uma força superior que move, que une, que faz cada pessoa se agregar de forma espontânea, de forma gratuita e generosa, se propondo a contribuir na construção do novo, oferecendo a essência solidária de sua humanidade, a força de sua militância, o sonho de ver as coisas diferentes, o jeito fraterno de se manifestar a cada encontro, a cada momento, a cada ação proposta. 

Aqui estamos nós!  Mais uma jornada, mais uma grande festa, mas também uma grande responsabilidade em fazer com que esta construção continue a incessante busca de ver a nossa Região cada vez melhor. 

Uma grande, uma linda, uma empolgante e uma consciente jornada para todos e todas nós! 

Leonardo J. D. Campos
Artigo publicado no Jornal ABCD Maior - 8 a 10 de novembro de 2011 - Caderno Opinião - Pág. 2