Ao vivermos um ano em que a
Igreja se propõe o aprofundamento do tema "Água", aja
visto que o tema da Campanha da Fraternidade deste ano reflete
justamente isso. Podemos dizer o quanto é oportuna essa reflexão
pelo fato de estarmos vivendo um momento da história do planeta,
cuja temática é a preocupação pertinente e, se alguma coisa não
for feita, dentro de muito pouco tempo faltará água em nossas
torneiras.
Pois é, a água tem toda uma
simbologia em sua volta que não há uma dimensão específica, cada
uma tem uma forma de vê-Ia, de dar a ela um significado. Para uns é
símbolo de purificação, de vida, libertação, etc. Quero aqui, de
forma muito resumida, falar um pouco deste simbolismo na história do
povo de Deus a partir da Bíblia, nosso livro Sagrado.
Já no primeiro livro da
Bíblia, o Gênesis, capítulo 1, versículos 1 e 2, nos diz que "no
princípio Deus criou o céu e a terra. A terra estava sem forma e
vazia, as trevas cobriam o abismo e um vento impetuoso (forte)
soprava pelas águas. Deus disse: 'que haja luz!' e a luz começou a
existir".
O vento aqui representa o
Espírito de Deus que através das águas, faz da escuridão, do
nada, surgir todas as maravilhas de sua criação.
Através das águas, deste
nada, foi gerada a vida, das trevas se deu a luz. Portanto, podemos
definir neste aspecto que água é vida.
Seguindo por esta reflexão
vemos que depois de toda obra da criação ter sido completa, de
Deus ter visto "que
tudo era bom" e que, dentre
todas, a maior foi o homem e mulher criando-os "à
sua imagem e semelhança". Porém
esse homem e mulher traem a confiança de Deus. Mas, misericordioso
como o é, dará uma nova oportunidade, através de Noé, pelas águas
do dilúvio renasce uma vida nova, o recomeço da história.
Diante disso, mais uma vez o
homem vai trair o plano de Deus migrando-se para o Egito e lá é
escravizado por muitos anos. Mas Deus envia Moisés, tirado das águas
do Rio Nilo para tomar-se um grande líder de seu povo e da história,
que ouvindo ao chamado na "Sarça Ardente", lutou contra o
Faraó, caminhou com o seu povo até a "Terra Prometida".
Para lá chegarem, o povo teve de ser lavado pelas águas do Mar
Vermelho, águas estas que se fazem presentes novamente na história
como símbolo da passagem da morte para a vida, da escravidão para a
liberdade. Portanto, água é libertação.
Depois de já terem se
estabelecido na Terra Prometida e sem a liderança de Moisés, o povo
se divide, há divisões de terras, surgem reis e, diante destas
divisões, Deus vai enviar os Profetas para anunciar a vinda do
Messias e aí a humanidade tem sua última oportunidade de
concretizar a vivência plena de paz, amor e solidariedade, sonhado
por Deus.
E aconteceu que nasce Jesus, o
Messias, que vem "Para
que todos tenham vida e em abundância”. Ao
completar trinta anos vai iniciar sua missão, mas antes Ele é
batizado nas águas do Rio Jordão, passando pelas águas, vai para o
deserto onde é tentado por quarenta dias e quarenta noites e supera
essas tentações. Este é o aspecto da resistência.
Então água é para nós,
sinônimo de Criação, de vida nova, de libertação e de
resistência.
Não é demais lembrar que nós
também passamos pelas águas do Batismo para vivermos esta vida nova
em Cristo e permitir que Deus faça brilhar em nós uma nova luz para
que a humanidade possa se renovar, "revestidos
de um Espírito novo” encontrar
seu verdadeiro caminho de muita paz.
Leonardo J. D. Campos
Informativo São Geraldo e
Comunidades
Janeiro de 2006 – Ano IV –
nº 44 – Página 03
Santo André, SP